Quais foram os melhores filmes de 2021

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Listei abaixo os melhores filmes do ano passado a que consegui assistir. Estou ansioso para ver alguns que não estão na lista, como Licorice Pizza (Paul Thoma Anderson), A pior pessoa do mundo (Joachim Trier) e Drive my car (Ryusuke Hamaguchi). E quais foram os filmes de 2021 de que você mais gostou?

1. Titane

Julia Ducournau é uma mestra do terror corporal. Titane tem sido comparado a Crash, do David Cronenberg, por falar de carros, mas talvez tenha mais a ver com Videodrome ou A mosca.

A protagonista Alexia (Agathe Rousselle) sofre um acidente de carro quando criança, recebe uma placa de titânio na cabeça (daí o nome do filme) e esse fato marca toda a sua vida.

Titane retrata a gravidez como uma monstruosidade. Assisti recentemente a Junior (disponível no Mubi), curta de 2011 dirigido por Ducornau, que faz a mesma coisa com a menstruação.

Raw, o filme dela que antecedeu Titane e trata de canibalismo, já tinha ficado na minha lista de melhores filmes de 2017.

Ela também dirigiu dois episódios da série Servant, da Apple, que valem muito a pena.

2. O cavaleiro verde

O cavaleiro verde

Assim como em Sombras da vida (2017), o tema de O cavaleiro verde é a passagem do tempo. Fala sobre como mudamos nossa avaliação sobre os acontecimentos com o decorrer dos anos.

O Sir Gaiwan interpretado por Dev Patel começa o filme cheio de dúvidas, sem um único feito importante para narrar em toda a sua vida, e, ao contrário do que poderíamos esperar, não descobre ser excepcionalmente forte ou heroico em sua trajetória.

A Idade Média recriada por David Lowery lembra a Idade Média do Monty Python. Talvez não tão engraçada, mas nem por isso menos absurda.

3. Ataque dos cães

Apesar do título, não há cachorros em Ataque dos cães. O nome vem da citação bíblica “Livra-me da espada, livra a minha vida do ataque dos cães”.

Talvez fosse até melhor usar outra tradução: “Livra a minha alma da espada e a minha predileta da força do cão” (já que o título original é The power of dog).

O filme de Jane Campion é um faroeste sem tiros. Não esconde nada do espectador, que, mesmo assim, fica sem saber direito para onde a história vai.

Benedict Cumberbatch interpreta um caubói, Phil Burbank, cheio de nuances, que mostra como quem odeia a si mesmo odeia o mundo.

Está na Netflix.

4. Duna

Duna é muito bonito e muito laranja. Talvez não seja tão bom quanto Blade Runner 2049, mas já é um feito do Denis Villeneuve conseguir vencer onde Alejandro Jodorowsky e David Lynch falharam.

Por ser adaptação de meio livro, tem o problema de acabar bem na hora que a história começa a ficar boa, depois de duas horas de construção de mundos.

Resta esperar pela segunda parte, prevista para o ano que vem.

5. The card counter: o jogador

Paul Schrader costuma criar protagonistas que se defrontam com dilemas morais e acabam por explodir em violência. Foi assim com o motorista de táxi Travis Bickle, no roteiro que escreveu para Martin Scorsese, e com o padre Ernst Toller, em Fé corrompida.

Oscar Isaac interpreta William Tell, jogador de cartas e ex-militar, que procura levar a vida sem chamar atenção, até que o passado vem a seu encontro.

Destaque para Tiffany Haddish, mais conhecida como comediante. Ela interpreta La Linda, que busca jogadores talentosos para participar de torneios oficiais, financiados por um grupo de investidores.

Recomendo bastante seguir Paul Schrader no Facebook.

6. The Velvet Underground

The Velvet Underground

Todd Haynes consegue apresentar muita informação ao mesmo tempo em seu documentário sobre o Velvet Underground, com divisões de tela e diferentes proporções de imagem.

O filme mostra como a banda se encaixava na cena de arte de Nova York da década de 1960, além da conexão óbvia com Andy Warhol, que os descobriu, os apresentou à Nico, na época principalmente atriz, e produziu seu primeiro disco.

Além dos depoimentos dos integrantes (pena que o Lou Reed não pôde se defender), entrevistas com Jonas Mekas e La Monte Young trazem contexto importante sobre as influências artísticas do Velvet.

Você pode assistir na Apple.

7. A crônica francesa

A crônica francesa é uma ode afetuosa à arte crepuscular do jornalismo. Fala de um tempo que não existe mais, anterior ao digital.

Wes Anderson cria na cidade francesa de Ennui-sur-Blasé um mundo provavelmente mais artificial, mais distante da realidade que o planeta Arrakis de Duna ou a Idade Média de O cavaleiro verde.

O filme traz histórias da última edição da revista fictícia, baseada na New Yorker. Minha preferida fala sobre um pintor presidiário, vivido por Benicio del Toro, e sua musa carcereira, interpretada por Léa Seydoux.

8. Shiva Baby

Quem assiste ao primeiro longa-metragem dirigido por Emma Seligman tem vontade de rir ao mesmo tempo em que sente vergonha alheia e constrangimento.

A universitária Danielle (Rachel Sennott) enfrenta um dia ruim, como se estivesse num filme dos irmãos Safdie, ao ter de enfrentar os pais, parentes e amigos, ex-namorada e sugar daddy com esposa e bebê, durante uma shivá, encontro após o enterro de uma pessoa próxima da família.

Tem no Mubi.

9. Judas e o messias negro

Ao interpretar Fred Hampton, presidente do Partido dos Panteras Negras de Illinois, Daniel Kaluuya nem parece o mesmo ator que protagonizou Corra.

Baseado em fatos reais, o filme dirigido por Shaka King conta como Hampton foi traído pelo informante do FBI Bill O’Neal (LaKeith Stanfield).

Dominique Fishback está ótima como Deborah Johnson, namorada de Hampton e integrante dos Panteras Negras.

Está disponível na HBO Max.

10. O esquadrão suicida

James Gunn dirigiu os melhores filmes da Marvel, com os Guardiões da Galáxia. Desta vez, ele salvou o Esquadrão Suicida, levando para a DC o espírito da Troma, onde iniciou sua carreira.

Sylvester Stallone empresta sua voz para Nanaue, o Tubarão Rei, enquanto Sean Gunn, irmão diretor, dá vida ao Doninha.

O principal antagonista do filme parece o Patrick Estrela, amigo do Bob Esponja, mas com a altura de um prédio.

Também está no HBO Max.


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