Fiz uma lista dos filmes que mais gostei em 2025. Muitos deles já estão no streaming.
Gostaria de ter visto outros, a serem lançados em breve no Brasil, como Marty Supreme, de Josh Safdie, e Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, de Mary Bronstein.
Quais foram os seus preferidos?
1. A Garota Canhota

Estreia de Shih-Ching Tsou na direção, A Garota Canhota conta a história de uma família de três mulheres lutando para sobreviver em Taipé.
A menina do título é I-Jing (Nina Ye), que tem cinco anos e ouve do avô que, apesar de canhota, deve usar a mão direita, porque a esquerda é a mão do demônio.
Muita gente comparou a Projeto Flórida, pois Tsou é colaboradora de longa data de Sean Baker, coautor do roteiro e montador de A Garota Canhota.
Mas as semelhanças estão principalmente em mostrar a vida de crianças que perambulam sozinhas pela cidade (no caso deste filme, uma criança).
Estive em Taiwan em 2015. Com sua cinematografia de iPhone, A Garota Canhota oferece ao expectador uma experiência do que é estar em Taipé, com suas lambretas, prédios modernos, vielas e luz néon.
Essa qualidade imersiva da imagem, conseguida com celulares, contrasta com muitos filmes atuais de alto orçamento, em que cenários reais, por conta principalmente da mão pesada na pós-produção, acabam parecendo computação gráfica malfeita ou videogame (mais sobre o tema neste vídeo).
Na Netflix.
2. O Agente Secreto

Melhor filme de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto é, também, um filme-síntese de sua obra.
Aqui, ele consegue integrar o dramático, o cômico e o grotesco de forma fluida. Antes, você tinha a cena da cachoeira de sangue que destoava em O Som Ao Redor. Ou “discos voadores” que pareciam deslocados em Bacurau. Desta vez, a perna cabeluda, o gato de duas caras e outras grotesquerias estão totalmente integradas ao filme. É como se Mendonça Filho finalmente tivesse conseguido conciliar a influência de John Carpenter em seu estilo pessoal.
Wagner Moura vive um ex-professor universitário e pesquisador perseguido por um empresário corrupto, bem-relacionado com a ditadura militar. O filme se passa no Recife, durante o Carnaval de 1977. Eu tinha quatro anos em 1977, e o mundo de que me lembro se parece muito com o que é mostrado no filme.
Tubarão aparece com destaque em O Agente Secreto. O filme de Steven Spielberg marca a transformação dos filmes B nos blockbusters que conhecemos hoje. Mendonça Filho faz uma homenagem ao cinema dessa época.
3. Valor Sentimental

Como acontece em A Garota Canhota e O Agente Secreto, o pai ausente é tema importante de Valor Sentimental.
No filme de Joachim Trier, Stellan Skarsgård interpreta um diretor de cinema de sucesso, em final de carreira, que tenta se reaproximar das filhas, vividas por Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas. A casa da família funciona como personagem central da trama.
Compararam a Ingmar Bergman, mas, de certa forma, Valor Sentimental referencia mesmo os filmes sérios do Woody Allen, como a reação das filhas ao pai que vai embora em Interiores e as consultas com a analista ouvidas de outro cômodo, pela ventilação, em A Outra.
4. Bugonia

Deve-se confiar em tudo que se lê na internet, e Bugonia está aí para provar isso. Emma Stone vive a presidente de uma grande empresa farmacêutica, sequestrada por dois primos (Jesse Plemons e o ator reveleção Aidan Delbis) que acreditam que ela é uma alienígena com planos de destruir a Terra.
Dos três filmes da parceria entre Stone e Yorgos Lanthimos, ainda gosto mais de Tipos de Gentileza. Mas Bugonia é muito divertido e leva as premissas da história às últimas consequências.
5. Traga Ela de Volta

2025 foi um ano especialmente bom para quem gosta de filmes de terror. Em Traga Ela de Volta, a personagem de Sally Hawkins perdeu uma filha adolescente, deficiente visual afogada.
Ela adota os meios-irmãos vividos por Billy Barratt e Sora Wong. O terror do filme surge da obsessão da protagonista descrita no título, com cenas assustadoras de mastigação.
Apesar de Fale Comigo já ter sido um filme de terror interessante, o que Danny e Michael Philippou alcançam em Traga Ela de Volta é bem melhor, mais próximo de Hereditário, ao discutir o luto e as relações familiares, num momento em que Ari Aster parece estar mais interessado em fazer sátiras políticas como Eddington (que vi, mas não incluí nesta lista).
Na HBO Max.
6. O Esquema Fenício

Em O Esquema Fenício, Benício del Toro vive um capitão da indústria ameaçado de morte, que tenta colocar de pé o esquema do título para salvar sua sua fortuna, com a ajuda da filha interpretada por Mia Threapleton, recém-saída de um convento.
Há quem esteja cansado do cinema de Wes Anderson. De seus maneirismos, simetrias e tons pastéis. De seus dioramas de época. De suas câmeras estáticas ou de, no máximo, movimentos laterais. De seus diálogos declamados com a mínima emoção. De suas coincidências improváveis e crescente antinaturalismo. Eu não.
No Prime Video.
7. A Hora do Mal

Nunca a corrida Naruto foi tão assustadora. Em A Hora do Mal, as crianças da sala de aula da professora interpretada por Julia Garner saem de suas casas e somem durante a noite, ao mesmo tempo.
O segundo longa-metragem de Zach Cregger é divertido e assustador. Amy Madigan cria uma vilã icônica como Gladys Lilly.
Na HBO Max.
8. The Mastermind

Josh O’Connor vive um marceneiro desempregado que organiza o roubo a um museu. Apesar do sucesso do plano, o protagonista não sabe bem o que fazer com os quadros roubados e The Mastermind se transforma num filme de estrada.
Kelly Reichardt retrata estupidez, egoísmo e tédio, durante um período político efervescente, com os protestos contra a Guerra do Vietnã. Poderia ter mais Alana Haim, que interpreta a esposa do protagonista.
O’Connor também está ótimo em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, também de 2025.
Na Mubi.
9. Pecadores

Muitos destacaram a cena musical que atravessa eras e culturas. De qualquer forma, a trilha sonora é um ponto alto do filme de Ryan Coogler, que usa o vampirismo como metáfora do embate entre cultura e indústria, ao mesmo tempo sedutora e violenta. Michael B. Jordan está ótimo nos papéis de irmãos gêmeos.
Na HBO Max.
10. Superman

O Super-Homem pode ser símbolo do imperialismo e da supremacia da força, em versões mais sombrias. No filme de James Gunn, é um alienígena que, como disse a Supergirl de Milly Alcock no trailer de outro filme, enxerga o melhor nas pessoas.
Não é o melhor filme do personagem, mas é engraçado e cartunesco, com um Krypto que rouba a cena e uma divertida “Gangue da Justiça”. Mesmo que não seja o Super-Homem que você quer, talvez seja o que a gente precisa.
Na HBO Max.
Feliz 2026!





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